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quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Guerra dos aditivos [Alta Roda]


Política de combustíveis no Brasil continua errática e com alto grau de improvisação. Exemplo mais recente é a lei já aprovada que autoriza o aumento do teor de etanol anidro de 25% para 27,5%, desde que testes comprovem viabilidade técnica. Uma lei condicional! Não seria mais lógico primeiro fazer todas as avaliações e, se aprovada a nova mistura, então encaminhar projeto de lei ao Congresso Nacional? Na realidade, apenas jogada eleitoreira.

Motores modernos têm condição de lidar com esse aumento de mistura sem problema de partida a frio ou falhas de aceleração. Os testes conduzidos pela Petrobras deverão indicar isso, mas ninguém deu atenção aos motores antigos com carburador ou injeções de combustível de primeira geração. Além disso, o consumo pode aumentar marginalmente. A gasolina padrão para limites de emissões e metas de eficiência energética previstas no Inovar-Auto contém apenas 22% de etanol. Com 25% o motorista já perde um pouco em consumo e com 27,5%, mais ainda.

O governo tem feito trapalhadas. Em meados do ano resolveu estimular a melhoria relativa de consumo/autonomia entre etanol e gasolina em motores flex porque a indústria se acomodou e hoje mal consegue manter a paridade esperada de 70%. A nova lei sinaliza apenas que “poderá” haver abatimento de imposto para veículos que alcançarem relação acima de 75%.

Com a tendência de aplicação de turbocompressor, particularmente ótimo em motores flex por aproveitar bem melhor as características químicas do etanol, não seria difícil atingir a meta, embora a custo maior. Mas sem saber em quanto cairia o imposto e se o incentivo é por versão, modelo ou média de tudo que produz, nenhuma fábrica vai se mexer. Algumas estão até contrariadas, em especial as que por pura miopia têm motores flex sofríveis ao usar etanol.

No recente Seminário Internacional de Combustíveis, organizado pela AEA em São Paulo, ficou explícito a discórdia entre governo, agência reguladora (ANP) e Petrobras responsável, na prática, por toda a gasolina vendida no País. Em dezembro de 2009 se decidiu que em janeiro de 2014 só existiria gasolina aditivada, como na maioria dos países com grandes frotas. Isso não aconteceu e sim um adiamento para julho de 2015. Ou seja, uma finge que regulamenta e outra finge que não entende.

De qualquer forma, a atual gasolina S50 (50 ppm de enxofre), de melhor qualidade e obrigatória desde 1º de janeiro último, evoluirá dentro de menos de um ano (se não houver outro atraso) graças a aditivos detergentes e dispersantes para limpar e manter limpos injetores, válvulas, câmaras de combustão e coletores. No seminário se discutiu a qualidade mínima desses aditivos, os riscos de uso em excesso, a descontaminação das estruturas de transporte e como o mercado reagirá a 100% de gasolina aditivada.

As distribuidoras deverão se preparar para uma guerra de comunicação ainda maior em meados do próximo ano. Há aditivos específicos de redução de atrito entre pistões e cilindros, com potencial de discreta melhora de desempenho e até de consumo, que se somam aos aditivos detergentes-dispersantes. Cada uma terá de convencer o consumidor que a sua gasolina é superior à do concorrente.

RODA VIVA

AINDA no capítulo das trapalhadas, é inacreditável o governo estimular apenas modelos híbridos que não carregam bateria em tomada. Os puramente elétricos também ficaram de fora do corte no imposto de importação. São carros bem mais caros e, assim, de vendas limitadas, sem risco de sobrecarregar a rede elétrica.


MERCEDES-BENZ GLA, agora importado e nacional em 2016, destaca-se pelo estilo esportivo frente a outros SUVs compactos. Motor turbo 1,6l/156 cv dá conta do recado, mas ideal seria potência algo maior. Materiais internos, de primeira linha, contrastam com ausência de ar-condicionado automático e GPS para o preço de R$ 132.900. Versão completa salta para R$ 149.900.


NOVA geração do Honda City ganhou espaço interno (na frente e atrás), além de equipamentos como câmera de ré regulável em três ângulos. Melhorou o vão de acesso ao generoso porta-malas de 536 l. Câmbio automático CVT agora tem sete marchas virtuais e hastes no volante, mas o motor 1,5 L/116 cv vai melhor no Fit. Preços continuam bem puxados: R$ 53.900 a R$ 69.000.


MITSUBISHI Outlander terá no início de 2015 versão híbrida plugável em tomada. Diferencia-se por soluções técnicas brilhantes. A começar pelos dois motores elétricos (um para cada eixo) que permitem tração 4x4 gerenciável de forma automática sem o peso dos componentes mecânicos. Estes motores trabalham em série e em paralelo ao de combustão.


OUTRAS vantagens do Outlander PHEV: acelerar da partida até 120 km/h no modo elétrico, cinco níveis de gerenciamento de recuperação de energia em frenagens e possibilidade de ligar o motor a combustão apenas para recarregar a bateria. Esta última função permite, ao final de viagem em estrada, contar com a bateria em nível máximo para uso urbano.

Fernando Calmon (fernando@calmon.jor.br), jornalista especializado desde 1967, engenheiro, palestrante e consultor em assuntos técnicos e de mercado nas áreas automobilística e de comunicação. Sua coluna automobilística semanal Alta Roda começou em 1º de maio de 1999. É publicada em uma rede nacional de 98 jornais, sites e revistas. É, ainda, correspondente no Brasil do site just-auto (Inglaterra).

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Tiro certeiro [Alta Roda]


Quando este colunista esteve em Nova York (EUA), em julho do ano passado, para a prévia mundial do BMW i3, já se sabia que a marca alemã seria a primeira a vender um carro elétrico no Brasil. Decisão ousada, pois a estimativa publicada na coluna era de que custaria em torno de US$ 100.000, ou R$ 230.000, o que se confirmou. Outros modelos elétricos, Nissan Leaf e alguns da Renault, circulam em pequenas frotas cativas. Os fabricantes ainda esperam redução de impostos que cortariam os preços no mínimo em 35%, mas a decisão só deve ser anunciada depois das eleições.


Não se pode dizer que o incentivo atual é zero. Na cidade de São Paulo, onde se espera vender no mínimo um terço do lote inicial de 100 unidades, qualquer elétrico puro está isento do rodízio municipal pelo final de placa. Outras sete capitais também terão o carro à venda. A BMW acertou em trazer apenas a versão REX do i3, que inclui um motor a combustão bicilíndrico (34 cv), de um scooter da mesma marca, para, via um gerador, carregar a bateria e estender a autonomia. Essa é uma forma de diminuir a insegurança do motorista, se não encontrar tomada por perto.

Ao contrário do Chevrolet Volt, híbrido plugável que não se adquire sem o motor a combustão, o i3 tem a versão comum – cerca de 10% mais barata, apenas com bateria de íon de lítio – cuja autonomia varia de 160 a 200 km (nesse caso sem usar o ar-condicionado). A decisão de colocar um tanque de gasolina de apenas nove litros foi resposta à legislação de alguns países que restringem incentivo fiscal se a autonomia com combustível fóssil ultrapassar a da puramente elétrica. Híbridos a gasolina plugáveis permitem distâncias 10 ou mais vezes superior à conseguida com a bateria.


A chegada do compacto i3 ao Brasil coincide com o início da produção, em poucos dias, da fábrica catarinense da BMW. Automóvel elétrico desperta curiosidade por aqui e, assim, a marca espera o benefício de imagem tecnológica. Afinal, esse é um carro projetado desde o início para máxima eficiência. Estrutura monobloco bastante leve une compósitos de fibra de carbono e alumínio, sem coluna B (central) e portas traseiras de abertura reversa. Até pneus têm diâmetro e largura específicos para aproveitar a característica do motor elétrico de entregar torque máximo instantâneo. Motor de 170 cv permite acelerações de 0 a 60 km/h em apenas 3,9 s (bem melhor do que carros comuns), o que o faz extremamente ágil em uso urbano. Velocidade máxima limitada a 150 km/h preserva autonomia.


Interior é espaçoso para quatro passageiros (capacidade homologada) e o porta-malas de 260 litros alinha-se ao de compactos tradicionais. O assoalho plano permite que motorista saia pela porta dianteira do lado direito com facilidade, especialmente útil em cidade e estacionamentos apertados. Também interessante é a conectividade a bordo bem superior ao convencional.

A BMW, com marketing correto e tiro certeiro, está vendendo i3 dentro da capacidade inicial de 40.000 unidades/ano, sem perder dinheiro, enquanto a Nissan acaba de anunciar a desaceleração da produção própria de baterias pela dificuldade do Leaf em decolar no mercado.

RODA VIVA


MERCEDES-AMG GT é desses carros esporte que dificultam apontar um defeito, fora o preço, previsto em torno de US$ 120 mil com impostos “normais” no exterior. Ainda não foi possível acelerar, em sua apresentação estática, na Alemanha, pois as vendas só começarão no primeiro trimestre de 2015. Estará entre as grandes atrações dos Salões do Automóvel de Paris e São Paulo.


PARTE traseira do substituto do Mercedes SLS lembra linhas do Porsche 911 (Turbo parte de US$ 150 mil), também inspirador do VW SP nos anos 1970. AMG GT tem características acima dos padrões: novo motor V8 biturbo com cárter seco (462 e 510 cv), transeixo (câmbio e diferencial acoplados) traseiro, carroceria em alumínio e interior esportivamente aconchegante.


HYUNDAI I30, com motor de 1,8 L e 150 cv, que deveria ter desde o início dessa nova geração, mostra um conjunto virtuoso entre estilo, interior espaçoso, bancos dianteiros elétricos, porta-malas adequado, faróis bixenônio e até teto solar panorâmico. Sua suspensão, no entanto, é mais macia que o desejável. Para-choque tende a raspar em valetas e lombadas acentuadas.


NOVO JEEP CHEROKEE chega agora ao Brasil com a fama de bem aceito nos EUA, mas o estilo frontal é algo fora do normal. Harmonia entre faróis e lanternas foge dos padrões. Traseira também exibe audácia, mas aceitável. Resta saber como os brasileiros aceitarão esse SUV que rompe com tradições estilísticas da Jeep. A marca está otimista.


VERSÃO intermediária do Cherokee custa R$ 174.900, pouco acima da Limited da geração anterior, compensado por mais equipamentos. Haverá, ainda, versões de entrada – R$ 159.900 – e de topo – R$ 189.900. Interior é sóbrio com boa tela multimídia de 8,4 pol. Motor V-6/3,2 L/271 cv e tração 4x4 garantem o tradicional bom desempenho fora de estrada.

Fernando Calmon (fernando@calmon.jor.br), jornalista especializado desde 1967, engenheiro, palestrante e consultor em assuntos técnicos e de mercado nas áreas automobilística e de comunicação. Sua coluna automobilística semanal Alta Roda começou em 1º de maio de 1999. É publicada em uma rede nacional de 98 jornais, sites e revistas. É, ainda, correspondente no Brasil do site just-auto (Inglaterra).

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Novo Uno em carreira solo [Alta Roda]


Fiat foi rigorosa quanto ao tempo correto de renovação do Uno. Lançado há pouco mais de quatro anos, o novo modelo 2015 chega agora com a responsabilidade de melhorar as vendas, depois do fim do Uno Mille, que chegava a representar 50% dos resultados, distorção típica do mercado brasileiro. Para essa espécie de carreira solo o carro está bem preparado, apesar de motores com mesma potência/torque e sem direção eletroassistida, em termos mecânicos. A inalterada versão Vivace 2/4 portas continua a ser a de entrada, repetindo a dupla personalidade do Nissan March.


A renovação externa se concentrou na parte frontal (para-choque, grade, faróis, lanternas e para-lamas) com bom resultado estético. Atrás, apenas novas lanternas que impressionam mais vistas de perto do que de longe. No total são cinco versões, incluindo a Evolution (no lugar da Economy) e a Sporting, marcada pela ponteira de escape dupla central que tem apenas apelo visual.


Na parte interna, no entanto, impôs um conceito ousado para esse segmento. Além de tudo novo, a Fiat incluiu no painel um quadro de instrumentos avantajado (em destaque o computador de bordo) e central multimídia com navegador GPS (opcional). O volante, regulável apenas em altura, tem botões de seleção nos raios. Bancos dianteiros são novos e têm regulagem fácil e correta de altura para o motorista. Há até cinto de segurança de três pontos para o passageiro central no banco de trás, muito mais importante para a segurança passiva do que um simples apoio de cabeça, também incluído.


Outra ousadia foi substituir a alavanca de câmbio por botões no console quando equipado com o automatizado de apenas uma embreagem, mantendo as borboletas no volante. Houve um passo adiante ao acrescentar relações de câmbio específicas e acelerômetro, que reduziram bem os vazios de aceleração nas trocas de marcha. No modo Sport, uma boa acelerada, em trecho livre de Buenos Aires (onde se deu o lançamento), permitiu sentir trocas mais rápidas. Agora existe um bem dimensionado apoio para o pé esquerdo.


Novidade entre carros nacionais é o sistema Start-stop (desliga-liga), apenas na específica versão Evolution com câmbio manual e motor 1.4, que traz ainda pneus superverdes de baixo atrito de rolamento. Nessa faixa de preço o fator economia de combustível é o segundo mais desejado, segundo a Fiat. Em situações de tráfego denso e muitas paradas, é possível alcançar economia de combustível de até 20%, com gasolina ou etanol. Se o ar-condicionado estiver ligado, o motor volta a funcionar depois de um minuto mesmo sem o procedimento de acionar o pedal de embreagem. Assim, em dias bem quentes, perde-se pouco em conforto térmico a bordo, pelo menos no caso dos passageiros da frente.


O novo Uno 2015 parte de R$ 30.990 (sem ar-condicionado), na versão Attractive 1.0, ou R$ 1.570 a mais que o ano-modelo 2014, compatível com as melhorias adicionadas (quase sem aumento real, na prática). A Evolution (1.4) custa R$ 34.990 e a Sporting, R$ 36.560. Esses preços se combinam com opcionais de fábrica e acessórios (instalados nas concessionárias). Pela primeira vez, para quem desejar, o carro pode ultrapassar os R$ 50.000, quase o dobro da versão Vivace 2-portas de R$ 26.370.


RODA VIVA



SALÃO do Automóvel de São Paulo (30/10 a 9/11) terá quase um festival de modelos pseudoaventureiros, entre outras atrações e estreias de peso. Além do Sandero Stepway e do Cross up!, focados em pura decoração, haverá dois novos SUVs compactos: Peugeot 2008 (nacional em 2015) e Renault Captur (importado). Protótipo derivado do March, também.

QUEDA do mercado interno continua a se aprofundar: quase 10% em relação a janeiro-agosto de 2013. Para a Anfavea, houve a comoção com a morte do presidenciável Eduardo Campos que acabou por impactar as expectativas do consumidor, especialmente no Nordeste. Nos últimos meses do ano se espera reação de vendas, pois o IPI deve subir em janeiro.

FENABRAVE até já contabilizou o provável aumento de liberação de crédito, quando os bancos puderem retomar veículos de inadimplentes sem as dificuldades de hoje. Estima em até 20% a elevação do nível de aprovação de pedidos, o que significa 30 mil automóveis e comerciais leves a mais por mês, ou o equivalente a um 13º mês de vendas. Em um segundo momento, juros podem diminuir.

AUMENTO da procura por modelos automáticos levou a Citroën a estender essa opção também à versão intermediária do C3, a Tendance (antes só na Exclusive). Por R$ 51.000 é um carro bem equipado e com câmbio de quatro marchas. Reprogramação eletrônica melhorou respostas ao acelerador e tornou a passagem de marchas mais suaves.



ENXUGAMENTO da oferta exagerada de modelos compactos, por parte da GM, já era esperado. Havia certo conflito na linha de produtos, além de mercado recessivo. Parou a oferta do Agile (ainda em produção na Argentina) e do Sonic (hatch e sedã), ambos importados do México, com problema de cotas ainda a ser resolvido pelos governos.

Fernando Calmon (fernando@calmon.jor.br), jornalista especializado desde 1967, engenheiro, palestrante e consultor em assuntos técnicos e de mercado nas áreas automobilística e de comunicação. Sua coluna automobilística semanal Alta Roda começou em 1º de maio de 1999. É publicada em uma rede nacional de 98 jornais, sites e revistas. É, ainda, correspondente no Brasil do site just-auto (Inglaterra).


quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Chineses no ataque [Alta Roda]


Desde a chegada do primeiro automóvel importado chinês, em 2008, o Changhe M100 (rebatizado de Effa M100 pelo importador), o mercado brasileiro foi razoavelmente receptivo, mas as coisas mudaram com o tempo. A falta de tradição se compensava com preços bastante competitivos e modelos sempre completos, com todos os equipamentos mais desejados pelo consumidor. Como os carros são importados do outro lado do mundo, fica difícil mesmo montar uma oferta diversificada de versões.

As dificuldades começaram em razão do novo regime automobilístico Inovar-Auto, que impôs regras protecionistas e induziu importadores a se transformarem em produtores locais. Bom frisar que outros países, a começar pela China, também praticam protecionismo, às vezes de forma disfarçada. Mas, antes mesmo do novo regime, que demorou muito a ser regulamentado, as duas marcas chinesas mais conhecidas, JAC e Chery, já tinham sinalizado a intenção de construir fábricas no Brasil.


Até dezembro do ano passado, a JAC acumulava desde 2011 cerca de 61.000 unidades vendidas. A Chery, que chegou dois anos antes, somava 48.000. São volumes bem abaixo do planejado, motivado pelo encarecimento da importação, acirramento da concorrência e certa seletividade dos compradores brasileiros, agravada pelo mercado em queda, quando se tende a tomar decisões conservadoras com menos ímpeto de experimentar. Isso não impediu que mais marcas chinesas continuassem a se instalar como importadoras, a exemplo da Geely este ano e da Zotye, em breve.


A Chery acaba de inaugurar sua fábrica para até 150.000 veículos/ano em Jacareí (SP), mas a produção só começa no fim do ano. Isso permitiu uma reação firme das vendas nos últimos meses (mais 10.000 unidades até agosto) porque quem compra se sente mais seguro em relação ao comprometimento da marca com o País. No total será investido R$ 1,2 bilhão, que abrange uma unidade de motores e um centro de desenvolvimento técnico e de estilo na mesma cidade.

Os planos incluem exportar para a América Latina, missão cada vez mais difícil para quem enfrenta o assombroso custo Brasil. A nova fábrica pode contar com mão de obra qualificada de imediato, pois a unidade da GM, na vizinha São José dos Campos, dispensou trabalhadores. No entanto, a região está sob jurisdição do mais radical sindicato de metalúrgicos do País. Como isso não existe na China, há o desafio adicional de contratar hábeis negociadores trabalhistas tupiniquins.

Apesar do atraso na construção – que agora atinge a JAC em Camaçari (BA) –, a Chery sai na frente para ampliar sua rede de concessionárias. Também focou no núcleo do mercado, onde as coisas realmente acontecem. Começa com o compacto Celer (hatch e sedã), seguido pelo subcompacto a ser reformulado QQ (maio de 2015) e o sucessor do SUV compacto Tiggo no começo de 2016. Todos já foram precificados com antecedência de modo que se mantêm na faixa atual de R$ 32.000, R$ 24.000 e R$ 52.000, respectivamente.

Chery e JAC almejam conquistar, cada uma, 3% do mercado brasileiro de veículos leves até 2018. Além de precisar “combinar” antes com os adversários, parece meta ambiciosa demais no cenário atual com 60 marcas se engalfinhando para conquistar clientes.

RODA VIVA


INÍCIO agora de produção do Golf no México permitirá aumento gradual da oferta do modelo aqui, em especial se a partir de março de 2015 se ampliarem cotas de importação. Hoje a VW pratica subsídio ao trazer o modelo da Alemanha com todos os impostos. Produção no Paraná começa no terceiro trimestre de 2015 com especificações da versão mexicana.


MARCADO para outubro próximo a produção do sedã compacto Versa, na fábrica da Nissan em Resende (RJ). Receberá atualizações importantes para deixá-lo em melhor condições de competir do que a versão anterior. Coincidência – ou não – Livina e Grand Livina, já em cadência bem lenta, param, no mesmo mês, de ser fabricados.


DECISÃO correta do importador de oferecer apenas a versão Sport do Suzuki Swift. Esse hatch seria mais um na “multidão”, sem o motor de 1,6L/142 cv que permite esticar marchas na região de 7.000 rpm. A Sport R – deve ser a mais vendida apesar do preço quase fora de giro de R$ 81.990 – tem bancos bons, muito equilíbrio em curvas e freios potentes.


KIA produzirá no México, no primeiro semestre de 2016, o Soul, o Sportage e o compacto Forte. São fortes (perdão do trocadilho) candidatos a exportação ao Brasil, quando se retomar o acordo de livre comércio entre os países. Nos últimos tempos os mexicanos atraíram fábricas da Audi, Mazda, BMW, Honda e Mercedes-Benz por sua competitividade.

PODE acabar a farra de fabricantes europeus pousarem de recordistas em consumo de combustível. Novos regulamentos exigirão que o atual ciclo de testes, brando demais, seja comprovado em ruas e estradas. Provavelmente, se adotarão fatores de correção, como ocorre nos EUA e também no Brasil, onde os ciclos teóricos já eram severos e ainda foram corrigidos.

Fernando Calmon (fernando@calmon.jor.br), jornalista especializado desde 1967, engenheiro, palestrante e consultor em assuntos técnicos e de mercado nas áreas automobilística e de comunicação. Sua coluna automobilística semanal Alta Roda começou em 1º de maio de 1999. É publicada em uma rede nacional de 98 jornais, sites e revistas. É, ainda, correspondente no Brasil do site just-auto (Inglaterra).


sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Direito de escolha [Alta Roda]


Dois lançamentos no mesmo dia, do mesmo fabricante, é incomum, mas em mercado recessivo e de muita concorrência pode ocorrer, como aconteceu com o hatch de teto alto Fox 2015 e a cabine dupla da picape compacta Saveiro (esta, na realidade, só chega às lojas em três semanas).


Comparar preços continua sendo missão difícil porque os carros vão ficando mais completos e caros, porém o que é acrescentado, em geral, tem repasse inferior ao custo real em razão da forte competição. O Fox com motor de 1 litro agora parte de R$ 35.900 (modelo 2014 custa apenas cerca de R$ 500 a menos, ar-condicionado também opcional), mas recebeu, além de uma atualização externa e interna inspirada no Golf, novos equipamentos como direção eletroassistida com volante regulável em altura e distância.


A estratégia da VW reposicionou o modelo para cima em razão do fim de produção do Polo, antes do final do ano. Explica recursos antes indisponíveis, entre eles controle eletrônico de estabilidade/tração/partida em rampa, sensores de estacionamento dianteiro e traseiro, sistema de navegação com tela tátil e inédito farol de neblina com luz de conversão. Oferece, ainda, o novo motor 1.6 l/120 cv (etanol), de duplo comando multiválvulas, e câmbio de seis marchas, conjunto realmente bastante superior ao atual (ainda aplicado nas versões mais acessíveis). Em viagem de avaliação impressionou pela suavidade, respostas em baixos regimes e silêncio a bordo.


Com todos os opcionais possíveis um Fox supera os R$ 63.000. E daí? Representará apenas 1% ou 2% das vendas, se tanto, da mesma forma que bem poucos vão comprá-lo sem ar-condicionado. Antes havia um intervalo de no máximo 50% entre os preços das versões de entrada e de topo, na maioria dos modelos. Agora, pode ir além de 70%, o que indica direito de livre escolha do mercado.


Na briga entre cabines duplas Saveiro versus Strada, a comparação é mais complicada. Acrescentar a terceira porta teve custo elevado para a Fiat, cuja versão de topo passa dos R$ 70.000, preço superior ao de picapes médias. Saveiro começa em R$ 47.500 e a versão Cross vai a R$ 63.000 (34% de diferença). Enquanto a Fiat pode ter motor mais potente (1,8 l/132 cv), a picape da VW é superior no uso fora de estrada, inclusive com freio ABS específico e controles de tração/partida em rampa/estabilidade. Seu bloqueio eletrônico do diferencial é muito mais eficaz nessas condições do que o sistema eletromecânico da rival, que obriga o motorista a parar e apertar um botão, além de inoperante acima de 20 km/h.


Apesar de a Strada ser mais larga externamente graças aos penduricalhos, ela é oito cm mais estreita no banco traseiro e foi homologada para apenas dois passageiros atrás. A Saveiro pode levar três, desde que sejam crianças ou pessoas de baixa estatura e não robustas. Tem pequena vantagem no espaço para joelhos e na inclinação do encosto do banco traseiro. Apesar de suas portas dianteiras maiores, é incomparável a facilidade de acesso da rival. A picape da VW peca por nem ao menos dispor de um conjunto corrediço nos bancos dianteiros. As caçambas de ambas apresentam o mesmo volume de 580 litros, mas o estepe da Saveiro é embutido.

Plano de manutenção da VW, a cada seis meses apenas, deixa seus produtos em desvantagem financeira frente aos concorrentes.


RODA VIVA

FORD pretende ampliar a faixa de atuação do Ka, antes mesmo da GM definir sua nova família de modelos de entrada. Há espaço abaixo de R$ 35.000 e acima de R$ 45.000. No segundo caso com o motor de 1,6 l/130 cv do Fiesta ou de 1 litro/3 cilindros com turbo e injeção direta (EcoBoost), numa versão esportiva.

PAÍSES da América do Sul, fora do Mercosul, estão nos planos para aumentar as exportações brasileiras de veículos, hoje dependentes da Argentina. Exige acordos entre governos a fim de diminuir tarifas de importação. Para funcionar, o Brasil teria que importar mais rosas colombianas e bananas equatorianas, por exemplo.


SANDERO subiu alguns degraus em dirigibilidade, acabamento e estilo nessa nova geração. Por seu preço muito competitivo ainda deve em maciez de direção e comando do câmbio, mas espaço interno é referência no segmento. Motor de 1 litro/80 cv, pouco para seu porte, é econômico. O de 1,6 litro/106 cv demonstra melhor equilíbrio desempenho/consumo.


PEUGEOT 208 foi bem no teste de impacto frontal do Latin NCAP: quatro estrelas. Estruturalmente é igual ao modelo homônimo francês, mas o modo de pontuação continua discutível e baseado em premissas irreais para mercados de menor poder aquisitivo. Serve apenas como referência comparativa, pois Onix e Palio alcançaram três estrelas.

NESSA quinta fase de testes, a Latin NCAP divulgou relatório menos arrogante e adotou um tom professoral que soa falso. Em aferição de segurança infantil os critérios são ainda mais jogo para plateia. Na Europa, após vários questionamentos, há revisões em curso porque nem lá carros pequenos conseguem proteção infantil total.

Fernando Calmon (fernando@calmon.jor.br), jornalista especializado desde 1967, engenheiro, palestrante e consultor em assuntos técnicos e de mercado nas áreas automobilística e de comunicação. Sua coluna automobilística semanal Alta Roda começou em 1º de maio de 1999. É publicada em uma rede nacional de 98 jornais, sites e revistas. É, ainda, correspondente no Brasil do site just-auto (Inglaterra).


sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Ford Ka repensado [Alta Roda]


Com o lançamento dos novos Ka (hatch) e Ka+ (sedã), a Ford completou seu objetivo de ser o primeiro dos quatro tradicionais fabricantes a ter todos os modelos produzidos no País ou na Argentina alinhados aos existentes no exterior (Focus ficará igual já em 2015). O próprio Ka, que nada tem a ver com o conceito original de subcompacto, segue o exemplo do EcoSport e chegou primeiro aqui do que na Europa.


Hatches e sedãs compactos somados, em gama de preços que vai de R$ 25.000 a quase R$ 60.000, representaram cerca de 60% de todos os automóveis vendidos no primeiro semestre. A Ford optou por evitar a briga na base do mercado e posicionou os novos Ka entre R$ 35.390 (hatch SE) e R$ R$ 47.490 (sedã SEL). Pelo menos no início não haverá nenhuma versão sem ar-condicionado, vidros elétricos dianteiros, travas elétricas de portas (controle remoto) e tampa do porta-malas, direção eletroassistida com coluna regulável em altura, bom equipamento de som, suporte central para celular ou GPS, 21 porta-objetos e pneus verdes.


Comandos por voz e chamadas telefônicas automáticas de emergência para o Samu em caso de acidentes graves integram a central multimídia Sync (sem tela tátil), como opção na versão intermediária SE Plus. É o primeiro compacto com controles eletrônicos de trajetória e tração, além de assistente de partida em rampa, recursos de segurança importantes.


Ambos podem vir com motor de 4 cilindros/1,5 L/110 cv (etanol) ou tricilíndrico/1 L/85 cv (etanol). Certamente vão interferir nas vendas dos New Fiesta, apesar da grade de preços estudada para amenizar. Os dois modelos compartilham arquitetura e igual distância entre-eixos (2,49 m), mas o Ka é mais amplo internamente com destaque nos assentos dos bancos dianteiros e espaço para pernas e cabeças atrás. Porta-malas do hatch é um ponto fraco (apenas 257 litros), porém o do sedã oferece muito bons 445 litros e sem que tampa interfira com a bagagem ao utilizar dobradiças pantográficas.


Estilo agrada bastante, em particular o equilíbrio de linhas do sedã, além de rodas de liga leve bonitas. Materiais no habitáculo são compatíveis com a proposta do carro e o acabamento tem algumas deficiências. Há regulagem de altura dos cintos de segurança, porém a do banco do motorista só na versão mais cara. Comando elétrico dos espelhos retrovisores externos (com luzes repetidoras de sinalização) não é oferecido, embora disponível no Fiesta. Resta a instalação na concessionária, como acessório original, a custo maior.


Um dos destaques é o motor de 3 cilindros que surpreende pelo nível baixo de ruído e vibrações. Descontando o inexplicável bloco em ferro fundido, no lugar do quase onipresente alumínio dos projetos modernos, o Ka mostra desenvoltura incomum para um propulsor de apenas 1 litro. Entrega a maior potência entre os de aspiração natural disponíveis hoje no mundo, quando abastecido com etanol. A fábrica, no entanto, preferiu escalonamento mais aberto do câmbio (apenas manual, de cinco marchas) para garantir consumo de combustível mais baixo no País, pelo padrão Inmetro cidade/estrada. Direção, manuseio do câmbio, suspensão e freios nivelam-se aos melhores compactos do mercado.

Manutenção ficará mais barata: correia dentada dispensa substituição e troca de óleo do motor e revisões passarão a anuais (antes semestrais).


RODA VIVA


HONDA prepara uma surpresa aos apreciadores de SUVs compactos, antecipa a coluna. Em meados de 2015 já terá em produção o Vezel (com outro nome) na fábrica atual de Sumaré (SP), sem esperar conclusão da nova unidade de Itirapina (SP), no final do próximo ano. Quando esta ficar pronta, produzirá o CR-V em Sumaré.

MERCADO continuou encolhendo com números fechados de julho. No acumulado a queda já é de 8% ante 2013. Alguns esperam que 2014 fique até 15% pior do que o ano passado, proporção três vezes maior do que a previsão de menos 5% da Anfavea. Este mês, com mais dias úteis, se poderá polir a bola de cristal.


ESTOQUES de veículos nas fábricas e concessionárias, que encerraram o primeiro semestre com 45 dias de vendas, recuaram no final de julho para 39 dias. Alívio é relativo pois existem variações estatísticas no modo de calcular o número de dias necessários para escoar os pátios.


MOTOR do BMW 320i demonstra: turbocompressor/injeção direta é a melhor combinação possível para o etanol. Embora não tenha alterado valores de potência (184 cv) e torque (27,6 mkg.f), a diferença com etanol aparece em acelerações de retomada, principalmente, além de pequena melhora no consumo em relação à gasolina. Inexplicável é o sistema desliga-liga o motor ser inibido, quando se usa etanol.

PESQUISA da J.D. Power com consumidores nos EUA aponta mau funcionamento de alguns comandos de voz, que avançam nos sistemas avançados de multimídia. Possivelmente por interferências de ruídos normais do veículo e vozes a bordo. Para melhorar essa deficiência, a Ford deslocou do rádio para o teto o microfone no novo Ka.

Fernando Calmon (fernando@calmon.jor.br), jornalista especializado desde 1967, engenheiro, palestrante e consultor em assuntos técnicos e de mercado nas áreas automobilística e de comunicação. Sua coluna automobilística semanal Alta Roda começou em 1º de maio de 1999. É publicada em uma rede nacional de 98 jornais, sites e revistas. É, ainda, correspondente no Brasil do site just-auto (Inglaterra).


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